22 janeiro 2015

Resenha - Belleville

Título - Belleville 
Autor - Felipe Colbert
Páginas - 301
Ano - 2014
Editora - Novo Conceito 




Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício... Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro...








Campos do Jordão, 20 de Janeiro de 1964
Ilustre desconhecido.
Hoje é o seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa! Espere, não estou brincando. Não despreze as minhas palavras. Leia a carta até o fim para descobrir o que eu quero dizer. 



Sabe aquele tipo de livro que começamos a ler sem esperar muita coisa dele, e no final ele se revela uma leitura incrível?

Pois é, Belleville é exatamente esse tipo de livro.

Com poucas páginas, somente 301, o livro mostra a história do tímido e solitário Lucius, que sai de casa para morar em Campos do Jordão para cursar a faculdade. O problema é que a falta de verba o força a alugar uma velha casa, afastada da cidade e que já viu dias melhores. Com o passar dos dias e sem nenhum amigo, Lucius passa a se dedicar a explorar a enorme propriedade e acaba se deparando com um velho galpão e dentro, o projeto amador de uma montanha russa.

Ele encontra também uma velha Lambreta e a foto de uma garota que viveu ali no ano de 1964. Apesar dos cinquenta anos que os separa, algo fez com que Lucius se interessasse pela história de Anabelle, e sua investigação o leva até uma caixa de madeira enterrada junto á base do que seria a montanha russa Belleville. Dentro, ele encontra uma carta endereçada ao futuro proprietário, em que pede para que se possível, ele terminasse Belleville o sonho que o pai dela nunca conseguiu concluir. Emocionado com a carta, mas sem verba para seguir com o tal projeto, Lucius decide deixar outro bilhete junto com o de Anabelle, reforçando o pedido da garota. Mas para sua surpresa dias depois ele encontra a caixa novamente, mas dessa vez com uma carta de Anabelle endereçada á ele.

Assim, de forma mágica os dois começam a se corresponder através do tempo, com a ajuda de Belleville, que aos poucos também começa a ganhar forma, graças aos esforços de Lucius, que parece perder o interesse por tudo de seu tempo, incluindo a tão sonhada faculdade, para se focar em Anabelle e sua montanha russa.

Belleville é o tipo de livro nacional que eu gostaria de encontrar sempre nas livrarias, o autor Felipe Colbart foge dos cacoetes tão conhecidos pela maioria dos autores brasileiros, que preferem trocar um bom texto, com descrições bem detalhadas, por um comercial disfarçado de livro, onde jogam a torto e direito marcas da moda que deixaria uma protagonista de romance chick lit envergonhada, transformando suas histórias em catálogos de propaganda. Confundido o caráter do personagem com sua conta bancária.
Ou seria apenas a cultura da ostentação tão idolatrada nesse país?

Já em Belleville o autor Felipe Golbart nos trás uma história detalhada sem ser entediante, com personagens que possuem características bem definidas e um enredo com a capacidade de prender o leitor, que quer saber qual será o destino de Anabelle e Belleville.

Como adoro coisas antigas, ler Belleville foi sem duvida uma experiência incrível. Mostrando com maestria a diferença entre a vida de Lucius e Anabelle, o autor conseguiu criar a ligação entre os leitores e os personagens. Lucius é um rapaz tímido e extremamente solitário, que antes de seguir para a faculdade, fazia companhia para o pai. Ele é um personagem masculino um pouco diferente dos encontrados normalmente nos romances, mostrando uma boa mistura de ingenuidade e paixão por aquilo que faz.

Anabelle faz bem o papel de conectar o leitor com os anos sessenta. Apesar dela representar o lado mais dramático da história, Anabelle está longe de ser o personagem trágico e fraco que muitas vezes é esperado nessas situações. E foi muito divertido acompanhar a diferença no estilo de vida dos dois, principalmente na maneira de falar que separa os dois personagens. Confesso que em alguns momentos precisei recorrer ao meu pai para esclarecer algumas gírias usadas por ela. Então pontos positivos para o autor Felipe Colbert, pela boa pesquisa realizada para a história.

Belleville pode ter ficado  em minha lista de espera para ser resenhado, mas o livro merece todos os elogios, principalmente por se tratar de um romance nacional, que foge dos maneirismos e do comodismo de muitos autores brasileiros. Apesar da história não ser nada original, já que funciona ao estilo do filme A casa do Lago, o livro é bom o suficiente para prender o leitor até o final. E consegue nos levar em uma bela viagem no tempo.


Boa leitura.


Eu estava diante de uma motocicleta. Para ser mais preciso, uma linda e inacreditavelmente abandonada Vespa!

Campos do Jordão, 25 de Fevereiro de 2014
Caro morador,
Antes de mais nada, leia a outra carta primeiro.
Pronto?
Ok, vamos lá...
Provavelmente você deve estar achando tudo isto uma loucura. Eu quero que saiba, com toda a honestidade, que cheguei a pensar da mesma forma. Mas foi minutos antes de a história de Anabelle tocar meu coração. 

19 janeiro 2015

Projeto fotográfico

Olá, muitos de vocês provavelmente já conhecem os projetos do grupo Rotaroots, que todos os meses criam uma interação bem interessante entre os blogueiros, com ideias de temas para postagens. 
Já acompanho o projeto ha algum tempo, principalmente pelos projetos fotográficos, mas essa vai ser a primeira vez que participo de um. O tema desse mês é Minhas Férias. Fotos mostrando o primeiro mês do ano. 

Como não saímos de férias, aproveitamos para passear um pouco pelos belos parques da cidade, e passar algum tempo com os amigos. 

Um Passeio pelo Parque Redenção em Porto Alegre.













Usina do Gasômetro 











Jardim Botânico de Porto Alegre 














12 janeiro 2015

Desafio literário - I dare you - Todo Garoto tem

Título - Todo Garoto Tem 
Autor - Meg Cabot 
Ano - 2008 
Páginas - 380
Série - Coleção Garoto - Livro 3
Editora - Galera Record 

Essa era uma viagem que tinha tudo para dar certo: Holly e Mark decidem fugir para se casar numa villa do interior da Itália, tentando evitar o stress causado pela diferença de religião entre suas famílias. Para acompanhá-los como madrinha, dama de honra e melhor amiga da noiva, a cartunista Jane Harris, uma mulher divertida e engraçada que mal pode esperar pela sua primeira viagem ao exterior. Mas é claro que Mark também convidou o seu melhor amigo, o jornalista internacional Cal Langdon, que passou os últimos anos em campos de guerra, plataformas de petróleo e outros lugares inóspitos. Já no aeroporto, Jane e Cal sofrem de total ódio à primeira vista, e qualquer tentativa de aproximá-los parece ser totalmente inútil: enquanto Jane acha o jornalista um chato terrível, um cínico que não acredita em amor e nem ao menos conhece o personagem de quadrinhos criado por ela, a impressão que Cal tem da cartunista é a de uma mulher ligeiramente maluca para quem o fato mais impressionante a respeito do Coliseu é que Britney Spears gravou um comercial lá. Mas o que ninguém esperava era que somente esses dois pudessem salvar o casamento de seus melhores amigos. E, nessa inesperada união entre opostos, Cal e Jane acabam por descobrir que, mesmo que não pareça, existe algo que todo garoto tem.


Diário de viagem de
Holly Caputo e Mark Levine
Sobre seu casamento secreto.
Redigido por Jane Harris, testemunha e dama de honra ou melhor amiga de Holly desde a 1ª série e colega de quarto desde o primeiro ano da faculdade Desing Parsons.
 Querido Holly e Mark,
 Surpresa!
Eu sei que nenhum de vocês dois vai se dar ao trabalho de fazer um registro do casamento secreto, então eu resolvi fazer isso para vocês! Assim, quando estiverem chegando perto do seu vigésimo de casamento, e o filho mais velho de vocês tiver acabado de destruir o Volvo, e a mais nova tiver chegado em casa da escola particular chique dela em Westchester com piolho, e o cachorro tiver vomitado em cima do tapete da sala todo e, Holly, você estiver se perguntando por que resolveu se mudar do apartamentinho no East Village que nós duas dividimos por tanto tempo, e, Mark, você estiver desejando ter permanecido no alojamento de residentes do St. Vincents, vão poder abrir este diário e falar assim: “Ah, foi por ISSO que a gente se casou.”



Para começar o desafio literário I Dare You que consiste em ler 12 livros durante o ano, com um tema diferente a cada mês, o assunto escolhido foi Férias. Então decidi aproveitar a oportunidade para finalmente resenhar um dos meus livros favoritos (e que fazia um bom tempo que não relia).

O primeiro livro escolhido foi Todo garoto tem, parte da série Garotos da escritora Meg Cabot. Que apesar do nome, faz parte da linha de livros destinados ao publico adultos da autora. A história que se encaixa perfeitamente no estilo Chick lit, está entre o gigantesco numero de livros do estilo que realmente gosto (dois, sim apensas dois livrinhos) e que consegue narrar as desventuras da cartunista Jane Harris em sua primeira viagem internacional, sem descambar para o humor pateta tão comum nesses livros.

Na história Jane Harris, uma cartunista já na casa dos trinta, é convidada por sua melhor amiga para ser madrinha do casamento escondido a ser realizado na Itália. Jane que nunca saiu dos Estados Unidos adorou a ideia romântica da amiga, que está na verdade fugindo da família tanto dela como a do noivo para poder casar em paz. Tudo começa a desandar quando logo no aeroporto Jane encontra com Cal, o melhor amigo do noivo e o padrinho do casal, que é contra simplesmente á tudo que Jane acredita, incluindo casamentos.

Em meio á muitas brigas e apelidos, os dois vão se conhecendo melhor, e acabam se unindo para conseguir realizar o sonho de seus melhores amigos.


Sim, eu sei que essa descrição é extremamente fraca, mas a história criada por Meg Cabot, não possui nenhum grande atrativo em seu enredo, e praticamente segue o básico de todo livro chick lit. Ou seja: mulher encontra homem lindo e irritante, que parece ser completamente o oposto dela, e se detestam logo de cara, mas com o tempo ambos descobrem que tem muito em comum. Ah e não podemos esquecer que o protagonista masculino tem que ser rico, só assim temos a receita perfeita para esse bolo de casamento.

Mas Todo garoto tem possui um diferencial que o torna especial e ainda mais engraçado que a maioria dos livros do gênero. Ele não possui diálogos diretos, sendo totalmente narrado através de troca de e-mails e também de trechos dos diários de viagem de Jane e Cal.

Lançado na época de ouro do e-mail, Todo garoto tem usa algo muito famoso e desejado na época para tornar a história viável, os Blackberries. Se hoje são telefones obscuros para a maioria dos jovens, os Blackberries foram alguns dos primeiros aparelhos com acesso a internet, e boa parte da história é mostrada dessa forma, como cópias de trocas de e-mails, inscrições em um diário e até mesmo troca de bilhetinhos dentro de um avião.

Esse estilo de narrativa já foi utilizado em muitas outras histórias, e infelizmente não funcionou tão bem em todas, mas no livro da escritora Meg Cabot o texto não só flui de maneira mais leve, como a apresentação dos personagens se tornou mais engraçada. Sem contar que passa a impressão de uma intimidade muito maio para o leitor, já que ele está lendo o diário do personagem, onde ele coloca seus pensamentos mais obscuros, e isso em uma comédia romântica, torna tudo ainda mais engraçado.

Os personagens podem não ser tão originais em se tratando de livros chick lit, mas as conversas engraçadas, as anotações de Jane descrevendo os acontecimentos em seu diário de viagem, e os e-mails que ela recebe da mãe, contando os acidentes domésticos com o pai dela, torna a leitura divertia.

 Jane consegue ser divertida sem ser boba demais. Ela lembra a típica turista que fica deslumbrada com um país tão lindo quanto à Itália, e muitas vezes tem como referencia somente os acontecimentos da cultura pop atual. Já Cal é o repórter experiente, que já viajou para os lugares mais inóspitos do mundo, incluindo zonas de guerra, e que parece não se impressionar com as paisagens que o grupo vai encontrando pelo caminho. Enquanto Jane logo encontra apelidos para descrever Cal, que começa como o Cara do Blackberry, o Nazista do descansa braço, até o Anexo grande, o que na descrição rende boas rizadas ao leitor.

Meu personagem favorito é o Cara. O gato de Jane, que apesar de ficar em casa, faz uma parte importante na história, sem contar que é completamente endiabrado, e precisa de cuidados extras para evitar comer o apartamento dela.

Com a bela Itália como pano de fundo, e personagens engraçados, mas nada caricatos, Todo o garoto tem é um livro divertido, e interessante, que pode ser uma boa leitura para os dias de verão.



Diário de Viagem
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Jane Harris
 Ai, meu Deus.
O Cara do Celular é o Cal Langdon, o melhor amigo do Mark desde o primário, aquele que viaja o mundo todo pelo Journal, que escreve sobre problemas sociais e instabilidade econômica há dez anos. Aquele que acabou de lançar um livro - e parece que recebeu um adiantamento enorme por ele.
Eu bem que gostaria de estar naquele avião preso no aeroporto de São Francisco em vez de estar neste aqui. Eu preferia pegar um vírus mortal a ter que passar mais um minuto na companhia de Cal Langdon, conhecido como o Cara do Celular, conhecido como Melhor Amigo de Mark Levine.


Palmtop de Cal Langdon
 Como de costume, a comida neste voo mal dá para engolir. E o que se considera diversão neste país é verdadeiramente deprimente. O filme exibindo durante o voo parece ser mais uma daquelas comédias românticas a respeito de uma jovem profissional atarantada que encontra o amor. Minha companheira de viagem está assistindo com atenção embevecida enquanto vai sorvendo suas muitas e muitas garrafas de água. Claramente está se vendo no papel da jovem profissional atarantada.
Acho que posso dizer com uma boa dose de certeza que ela NÃO está me vendo no lugar do belo jovem protagonista. Aliás, a falta de entusiasmo explícita dela a meu respeito beira o cômico. Ela está se esforçando muito para nunca permitir que seu cotovelo encoste no meu no nosso descanso de braço mútuo, como se tivesse medo de contrair alguma espécie de vírus mortal ao fazê-lo.
E tudo isso só porque eu por acaso fiz uma observação a respeito da queda bastante notável que ela tem por garrafas de água.
Ah, e a coisa do Gato Louco. Ou Wondercat. Como é que eu ia sabe que Wondercat é uma tirinha de quadrinhos, e que ela é a criadora? Não leio um gibi desde que o Mar e eu éramos criança e eu costumava guardar 35 centavos por semana para comprar a mais nova edição do Homem-Aranha no supermercado Big Red Food Mart. Com certeza não tenho hábitos de ler os quadrinhos do jornal - não depois que completei dez anos. Os jornais que costumo ler nem têm seção de quadrinhos.

05 janeiro 2015

Resenha - Day 21 - The 100



Título - The 100 - Day 21 
Autor - Kass Morgan 
Ano - 2014
Páginas - 320
Série - The 100 livro 2

Já se passaram vinte e um dias desde que o grupo de cem jovens chegou a terra. Eles são os únicos humanos que tocam na terra por séculos... Ou pelo menos era o que eles pensavam.
Enfrentando um inimigo desconhecido, Wells tenta manter o grupo unido. Clarke segue em direção ao Mount Weather a procura de outros colonizadores, enquanto Bellamy está determinada a resgatar sua irmã, a qualquer custo. E na estação espacial, Glass enfrenta uma escolha impensável entre o amor de sua vida e sua própria sobrevivência. 



Como pode ser possível existirem pessoas na Terra? É impossível. Ninguém sobreviveu ao cataclismo. Isso era controverso a tudo que estava profundamente enraizado na mente de Wells, assim como o fato da água congelar quando atinge zero grau, ou que o planeta gira em torno do sol. Mas ainda assim, ele os viu com os próprios olhos. Pessoas que certamente não haviam saído da colônia espacial. Eles haviam nascido na terra. 


A série The 100 lançada no ano passado e que já conta com duas temporadas, rapidamente se tornou a queridinha de muitos jovens (e nem tão jovens assim) que gostam de histórias pós apocalípticas, com um pouco de romance e muita ação. Mas a série apesar de prometer muito, teve o início um pouco morno, mas com alguns momentos incríveis, e aparentemente vem mantendo essa tendência em sua segunda temporada.

Com o rápido sucesso da série, o livro que deu origem á história passou a ganhar mais atenção, e para a decepção de muitos acabou sendo uma leitura rasa, sem muitos atrativos e com romances doentios aumentando a cada capitulo.

No segundo livro a autora Kass Morgan da continuidade á história dos cem jovens enviados a terra, como parte de um experimento para saber se o mundo estava livre da radiação e novamente seguro para os humanos. Logo o grupo descobre que eles não são os únicos humanos na terra, e que os 'terráqueos' são guerreiros experientes e estão dispostos a tudo para eliminar os jovens, que podem representar uma ameaça para eles.

Day 21 começa exatamente do ponto onde The 100 terminou, mostrando Clarke e Bellamy procurando por Octavia (que continua desaparecida por boa parte do livro) enquanto Wells tenta manter a ordem no acampamento. Na estação espacial Glass e Luke continuam tentando sobreviver e ficar juntos, apesar dos cortes de energia e perigos que a decrépita estação começa a apresentar.

A história que na série funciona muito bem, segue capenga e cheia de falhas no segundo livro. Clarke é descrita durante boa parte da história como uma vítima sendo a mocinha indefesa durante todo o tempo, bem diferente do primeiro livro. Bellamy está mais para um senário de fundo do que um personagem com real importância. Pelo menos os fãs do casal começam a ver algo mais na história dos dois, mas que infelizmente é ofuscado pela falta de uma boa descrição dos acontecimentos, e até mesmo pelas rápidas aparições nos capítulos entrecortados pelo ponto de vista de vários personagens.
Wells é o único personagem que conseguiu progredir durante o segundo livro. Ele passou de um filhinho de papai mimado, para um possível líder, que tenta controlar os quase cem jovens delinquentes. A grande mudança começa quando eles capturam Sasha, uma das sobreviventes na terra, e que começa a questionar Wells sobre tudo aquilo que ele acreditava ser correto.

Os dois também protagonizam o melhor momento da história, quando Sasha questiona Wells sobre a seleção de colonizadores que seguiram para a estação espacial. E se foi algo justo, por que todos eles falam inglês? Esse talvez consiga ser o único momento inteligente de toda a história.

Glass e Luke que no primeiro livro eram um casal insosso, em Day 21 os dois ganharam o premio de disfuncional. O relacionamento deles simplesmente não funciona, e ver a maneira como Luke trata Glass durante uma briga de casal, mostra o quanto a autora precisa melhorar sua escrita nesse ponto.

Quanto á história em si, os problemas do primeiro livro continuam. Ou seja, não temos uma boa história do mundo encontrado pelos jovens, sem explicações convincentes, e uma narrativa tão superficial que não passa ao leitor uma boa ideia do drama que fica implícito na descrição do livro.


Day 21 é o tipo de livro que desanima o leitor. Apesar da série continuar muito bem (não é uma das minha favoritas, mas segue estável), o livro vai na contra mão da maioria das obras que geralmente são melhores que os filmes ou séries inspirados nelas, e decepciona mais uma vez. 

Não tenho muita esperança que o terceiro livro nos traga algo inovador na série, ou que melhore sua narrativa, o que é uma pena, pois The 100 tinha tudo para ser uma história incrível. Mas aparentemente isso é tudo o que a autora Kass Morgan tem a nos oferecer. 


Sasha olhou para ele, de uma maneira que nenhum de seus tutores o olhou antes, até mesmo quando ele estava errado. Eles nunca o encararam com essa mistura de pena e escarnio. O mais próximo foi um olhar comparado ao de seu pai. – então por que todos na nave falam inglês? – ela perguntou calmamente.
Ele não tinha uma resposta para isso. Ele passou toda sua vida imaginando como seria ver as verdadeiras ruinas da Terra, e agora que ele estava aqui, pensando sobre todas as vidas que se extinguiram durante a guerra, era difícil respirar.